Organização Mundial de Saúde fala sobre o envelhecimento no mundo

Organização Mundial de Saúde fala sobre o envelhecimento no mundo
Diabetes, hipertensão, câncer, depressão e doenças coronarianas já se mostram questões que merecem atenção especial hoje em dia. Imagina o que acontecerá daqui a 40 anos? Em atenção ao Dia Mundial da Saúde, 07 de Abril, a Organização Mundial da Saúde (OMS) preparou um relatório com as previsões para 2050. E as novidades não são muito animadoras. O envelhecimento da população mundial vai ser notável até lá e o crescimento da incidência das doenças crônicas não-transmissíveis resultará em muitos gastos e dor de cabeça. A não ser que políticas de atenção à saúde dos futuros idosos comecem hoje.

Segundo o comunicado da OMS, nos próximos anos, pela primeira vez, haverá mais pessoas com mais de 60 anos de idade do que com menos de cinco. E 80% delas viverá em países pobres ou em desenvolvimento, como é o caso do Brasil. De acordo com Simoni Lahud Guedes, antropóloga e professora do Departamento de Antropologia da Universidade Federal Fluminense (UFF), "nada disso vai ser fácil para a sociedade. O idoso é caro. Não podemos pensar que todos os idosos são o que chamamos hoje de 'novo' idoso, aquele que faz exercícios, se alimenta corretamente e se mantém ativo também psicologicamente. Muitas pessoas, quando envelhecem, se tornam total ou parcialmente dependentes da ajuda de filhos ou profissionais para fazer atividades simples do dia-a-dia. E isso pesa no bolso, não só da família, mas do governo, que precisará criar serviços de saúde e assistência mais elaborados para atendê-los".

Serão 400 milhões de idosos no mundo em 2050, ainda de acordo com a OMS. Esse número assusta se pensarmos que em meados do século XX havia apenas 20 milhões. As doenças crônicas não-transmissíveis, como diabetes, câncer e hipertensão, com incidência mais alta na população idosa, afetarão seriamente a qualidade de vida de toda a sociedade e buscar evitar que isso aconteça é a principal meta da OMS. Para isso, a Organização afirma que "o risco de desenvolver alguma dessas doenças é significativamente reduzido adotando-se comportamentos saudáveis, como estar ativo psicologicamente, ter uma dieta saudável, evitar o consumo de álcool e não fumar ou usar produtos derivados do tabaco. O quanto antes as pessoas adotarem esse estilo de vida, maiores as suas chances de aproveitar a terceira idade com saúde".

Promover o envelhecimento ativo e saudável, no entanto, não deve partir somente da população – que, de forma geral, ainda não enxerga a importância de adotar esse comportamento – mas o governo também deve colaborar. Para Simoni, "promover envelhecimento ativo e saudável é um dos recursos que, sem dúvida, pode ser utilizado. Para o idoso isso é essencial. Neles, além de fazerem atividade física, eles também socializam. O problema é que, em geral, esses programas não são de governo, não têm continuidade. Eles dependem de que alguém queira fazer. Começam e acabam quando terminam os recursos. Mas, sem dúvida, isso é essencial. É uma maneira fundamental de tornar menos onerosa para todos a saúde do idoso. Porém, a iniciativa precisa partir do governo e, não, de particulares".

No entanto, segundo a OMS, a saúde fragilizada da população idosa não é a única preocupação que as pessoas têm quando envelhecem. Atitudes estigmatizadas e estereótipos comuns tendem a evitar que pessoas mais velhas participem plenamente da sociedade. Simoni entende que "hoje em dia há uma separação entre o jovem e o idoso. Esses programas que promovem a saúde da população mais velha, embora importantes, colocam ela em uma espécie de gueto, onde somente elas podem participar e interagir. Estimular a relação entre as gerações é importante não só para mudar a visão que o jovem tem do idoso, mas também para mudar a visão que o idoso tem do jovem. É fundamental que ele tenha oportunidade de compartilhar experiências e vivências com pessoas das mais variadas idades".

A publicação da OMS cita uma frase inteligente da Dra. Margaret Chan, Diretora-Geral da Organização. "Quando um homem de 100 anos de idade termina uma maratona, como aconteceu ano passado, nós precisamos repensar definições convencionais do que significa ser 'velho'. Já não se sustentam estereótipos de séculos passados".

A OMS acredita fortemente na importância do governo na promoção do envelhecimento saudável e, por isso, listou quatro ações que governos e sociedades precisam tomar – hoje – para prevenir doenças crônicas e garantir um envelhecimento ativo. Veja abaixo:

  • Promover boa saúde e comportamentos saudáveis em todas as idades para prevenir ou adiar o desenvolvimento de doenças crônicas.

  • Minimizar as consequências de doenças crônicas através da detecção precoce e tratamento de qualidade (primário, de longo prazo e paliativo).

  • Criar ambientes físicos e sociais que promovam a saúde e participação de pessoas idosas.

  • "Reinventar o envelhecimento" – mudar atitudes sociais para criar uma sociedade na qual pessoas mais velhas são respeitadas e valorizadas.

Embora o brasileiro possa ter dúvidas quanto à capacidade do País de cumprir determinadas ações, Simoni diz acreditar que nada é impossível. "Acho que capacidade o Brasil tem, é só querer. Temos capacidade pra tudo. Colocamos todas as crianças na escola, não é? É uma porcaria, tudo bem, mas tá todo mundo lá, coisa que achávamos impossível alguns anos atrás. Vai dar trabalho. É preciso ter um investimento sério e continuado e programas de governo inteligentes. Nós temos o melhor programa do mundo de atenção a Aids. Temos recursos humanos e materiais para isso, basta querer".

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  • Data: Segunda, dia 16 de Abril de 2012, às 00:00
  • Tags: saúde

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