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Impasse em torno do reajuste das aposentadorias

Escrito por Ataprevcri on 12 Novembro 2009. Posted in Aposentadoria

Aposentado desde maio de 1975, o engenheiro civil e mecânico eletricista Paulo Ricardo Levacov, 87 anos, segue trabalhando para manter em dia as contas de casa. Com benefício de R$ 2.094,43, complementa o orçamento familiar - que conta ainda com a aposentadoria de R$ 700 de sua esposa, Milka Levacov, 83 anos - com perícias judiciais.

FONTE ZERO HORA | IMAGEM PREVIDÊNCIA SOCIAL

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O profissional tem gastos mensais que chegam a quase R$ 10 mil com serviços de saúdeMilka sofre de mal de Alzheimer e necessita de cuidados constantes.

- Quando me aposentei, recebia Cr$ 3.625, o equivalente a 88% de 10 salários mínimos da época. Agora, só chega a 45% de 10 salário mínimos - estima.

Se a renda de Levacov fosse corrigida pelos mesmos reajustes do salário mínimo, o aposentado estaria recebendo R$ 3.163,71. A demora para encontrar uma saída para o impasse em torno do reajuste das aposentadorias do INSS mostra a dificuldade de definir uma fórmula que não comprometa as contas da Previdência, mas recupere ao menos parte do poder de compra dos benefícios de quem ganha mais que o piso.

Mesmo especialistas em finanças públicas que consideram explosivo voltar a vincular reajustes ao salário mínimo não consideram totalmente irresponsável uma concessão de curto prazo.

- O conjunto dos aposentados cresce 4% todo ano. Se todos ganharem 5% ao ano, as despesas da Previdência vão crescer 9% ao ano. Seria um desequilíbrio (nas contas da Previdência) pelo crescimento exponencial das despesas - diz Fábio Giambiagi, que alerta sobre o risco de o governo vir a diminuir a recuperação do mínimo para compensar o aumento dos gastos.

Para o economista Istvan Kasznar, da Fundação Getulio Vargas, mesmo se o governo conceder INPC mais toda a variação do PIB do ano anterior - o que daria um aumento em torno de 8% para 2010 - , o impacto não seria relevante. Segundo o Ministério da Previdência, a proposta inicial dos aposentados, de INPC mais 50% do PIB, elevaria em R$ 3 bilhões as despesas em 2010, com déficit estimado em R$ 42 bilhões.

- O que faz sentido e mantém o valor real do benefício desde que a pessoa se aposenta, é o reajuste pela inflação, como ocorre em todo o mundo - entende Marcelo Portugal, professor de economia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).